sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A ineficácia das palavras

Eu sei o que você quer
Seus olhos me dizem
E seus braços
Também
Tudo
O que você
Não consegue
Dizer

Esqueça os discursos
Esqueça os papéis
Eu preciso de vinho e
Agressividade

Eu preciso de você
Encravando suas unhas maravilhosas
No meu
Pescoço
Eu quero sangue fresco
E respi
ração

Te ver se debatendo
E se
Contorcendo
Desespe
rado
ramente

Travando luta mórbida
Fétida
Orgânica
Por um pedaço
Da
Minha mão

Exigindo violentamente
Qualquer resquício da minha voz
E do meu suor

Sem o menor
Vestígio de pudor
Sem um esboço sequer
De
Lassidão.

domingo, 25 de outubro de 2009

Um tiro

Um tiro
Para estourar a caixa torácica
Desfigurar completamente toda a estrutura orgânico-conjuntural
E novamente
Reincidente
Cruel
Mórbido
Aterrador
Do jeito
Que você
Sempre
Sonhou

Foi tudo o que você
Fez comigo ontem
Foi tudo
O que você me deu
Até
hoje.

Embriaguez

Andei
Enchendo-te o saco
Você andou
Dizendo-me porra nenhuma
Por que vocês sempre fazem isso?
Ofereço-lhes o universo
Vocês não se dão nem ao trabalho
De atirá-lo à porcaria de lata de lixo mais próxima
Deixam-no ali, prostrado
Em mãos da criatuta idiota-babaca com cara de imbecil

Suspenda-se o remédio
Hoje é dia de cerveja.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Primitivismo

Cansei de papo.
Cadê a cerveja?

sábado, 17 de outubro de 2009

Espero

Espero que, por aí,
Não esteja doendo tanto
Como aqui
Espero conseguir
Não
te encher mais

Espero que você perceba a tempo
que isso tudo
é um grande erro

Espero não me embriagar
O quanto pretendo
essa noite

Espero
não
esperar
mais.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cheiro de Chuva

Quando, bem no finalzinho
de uma noite de domingo,
nem o seu biscoito
de chocolate favorito
consegue dar um jeito
naquele arzinho persistente
de uma pequena comoção,
É porque
você tem que escrever
um poema bem bonito
para aquela menina de uns olhos
tão negros e profundos
de um jeito que dão vontade
de mergulhar e desvendar
até
o fim
que te faz rir, rir e rir
e sentir-se como se
já estivesse
chegado
em casa.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Alma Gêmea

Eu digo que você é minha alma gêmea
Porque a gente se parece
No que tem que parecer
E desparece
Naquilo o que
Deve acon
tecer

Você complementa
O que eu não
tenho
Enquanto eu,
muito desajeitadamente,
Tento retri
buir